MPF quer condenação de ex-prefeito de Luís Gomes por desvio de recursos
08/10/2015 às 12h54
Pio X Fernandes contratava ilegalmente empresas e depois forjava as licitações com ajuda de funcionários da Prefeitura e empresários. Sentenças podem ultrapassar os 30 anos de reclusão
O
Ministério Público Federal (MPF) em Pau dos Ferros apresentou à Justiça
alegações finais referentes a sete processos que acusam de desvio de
recursos e improbidade administrativa o ex-prefeito de Luís Gomes, Pio X
Fernandes; além de ex-membros da Comissão Permanente de Licitação (CPL)
e diversos empresários, dentre os quais Creso Venâncio Dantas, cuja
empresa de contabilidade, a Rabelo e Dantas, se envolveu em ilegalidades
junto a várias prefeituras do estado.
As
alegações finais do MPF (em quatro ações penais e três por improbidade
administrativa) são de autoria do procurador da República Marcos de
Jesus e denunciam a montagem fraudulenta de vários procedimentos
licitatórios. Nas peças processuais, o MPF afirma que esquema ilegal foi
praticado na execução de convênios e contrato de repasse com o Governo
Federal para reconstrução de casas populares, uma quadra poliesportiva, a
aquisição de um caminhão, além da implantação de infraestrutura hídrica
no âmbito do Programa Nacional de Agricultura Familiar – Pronaf.
Além
de Pio X, a lista de réus inclui três ex-integrantes da CPL
(Lindonjonhson da Silveira Batista, Antônio de Pádua Silva e Guilherme
Libânio da Rocha Junior), o ex-secretário de Obras Cláudio Fídias
Barbosa Freitas e os empresários e suas empresas: Ana Marília Lins
Mendes (Azimute Construções Ltda.), Francisco Lopes Torquato
(Construtora Serrana Ltda.), Roberto Ney Pinheiro (Acol – Acácia
Construções Ltda), Alberto Jorge Nunes Gomes de Lima (Expoente
Construções), Calixto Fernandes Lopes Neto (RC Construções Ltda. ME),
Januzzi Laura Gome Dantas (ML Dantas Construções Ltda – Epp), Joanilson
Pergentino Costa (Par Engenharia Ltda.), Paulo José Ferreira de Melo e
Valfrides Joaquim Álvaro dos Santos Peres (respectivamente administrador
e gerente de vendas da Via Diesel Distribuidora de Veículos, Motores e
Peças Ltda.) e Creso Venâncio Dantas, administrador do escritório de
contabilidade Rabelo & Dantas.
Fraudes -
Após a produção de provas, o MPF reafirma que as licitações foram
forjadas. Uma delas envolvia recursos do Ministério do Esporte e do
Turismo, que firmou contrato de repasse de R$ 136 mil. Outra se referia a
R$ 150 mil repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para
investimentos na agricultura familiar, através de implantação de
infraestrutura hídrica. Mais R$ 147 mil foram frutos de um convênio com o
Ministério da Integração Nacional para reconstrução de 28 casas. E da
Fundação Nacional de Saúde (Funasa), vieram R$ 100 mil para melhorias
sanitárias.
O
MPF explicou que o ex-prefeito firmava contratos diretos com as
empresas, ilegalmente, sem qualquer tipo de concorrência. No caso da
Azimute Construções, ganhadora de uma das licitações, a empresa já
pertenceu ao ex-secretário de Obras de Luís Gomes, Cláudio Fídias
Barbosa, que também foi sócio da RN Construções Ltda., igualmente
envolvida nas irregularidades. A representante da Azimute na suposta
licitação, aliás, foi a esposa de Cláudio, Ana Marília Lins.
O único dos processos que não envolve a
Rabelo e Dantas diz respeito à aquisição de um caminhão, com repasse
federal de R$ 70 mil do Ministério do Desenvolvimento Agrário. “A
verdade (…) é que esse certame foi forjado”, concluiu o MPF, apontando
montagem das propostas que integraram a suposta licitação e ainda a
participação de “concorrentes” com o mesmo quadro societário.
Esquema
– Para encobrir as ilegalidades, o então prefeito, com o auxílio dos
membros da CPL, dos representantes das empresas e de Creso Venâncio
Dantas, forjava um processo licitatório na Rabelo e Dantas. Os crimes
cometidos nesse escritório foram descobertos em 2003, através de uma
operação policial que encontrou documentos apontando a simulação de
licitações em dezenas de prefeituras do Rio Grande do Norte. A Rabelo e
Dantas agia como uma “fábrica de licitações”, montando processos
fraudulentamente para encobrir os desvios de recursos.
Apesar
de o esquema ter se tornado rotineiro, deixou fortes indícios das
irregularidades, incluindo modelos praticamente iguais apresentados como
sendo propostas de empresas diferentes; falta de projetos executivos ou
detalhamento dos serviços contratados; processos sem numeração, sem
protocolo ou com inversão de etapas; ausência ou falsificação de
documentos; além de licitações realizadas em prazos inexequíveis, com
vários atos supostamente praticados em um único dia.
Possíveis penas -
Se condenado nas quatro ações penais, Pio X Fernandes estará sujeito a
uma pena somada de 31 anos e um mês de reclusão, além da inabilitação
para o exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação. Já
as três ações civis por improbidade poderão resultar na perda de
qualquer função pública, além da suspensão dos direitos políticos e uma
multa que, somada, pode alcançar um valor de R$ 449.016,39, ainda a ser
corrigido.
Os
processos tramitam na Justiça Federal sob os números:
0000490-97.2013.4.05.8404, 0000479-68.2013.4.05.8404,
0000488-36.2013.2013.4.05.8404, 0000141-94.2013.4.05.8404,
0000487-45.2013.4.05.8404, 0000478-83.2013.4.05.8404 e
0000461-47.2013.4.05.8404.

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