Operários de Goianinha, RN em situação de escravidão são resgatados no CE
Os trabalhadores saíram das cidades de Passa e Fica, Goianinha e Canguaretama, todas no Rio Grande do Norte.
No RGN do G1 CE
Trabalhadores eram mantidos em situações precárias, segundo fiscais (Foto: Ministério do Trabalho/Divulgação)
Trinta
e quatro trabalhadores em situação análoga à de escravo foram
resgatados em Ibiapina e Pentecoste, no interior do Ceará, em operações
realizadas por fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e
Emprego. Cinco deles eram abrigados em curral de gado de uma fazenda,
"sem as mínimas condições de higiene em situação que afronta a dignidade
do ser humano".
Segundo
o Ministério do Trabalho, os trabalhadores resgatados em Ibiapina foram
aliciados no Rio Grande do Norte, transportados clandestinamente para o
município cearense, para trabalhar na construção de casas do Programa
Minha Casa Minha vida, do Governo Federal. Eles foram alojados nas casas
que estavam sendo construídas, sem instalações sanitárias, sem energia
elétrica e água encanada. Além disso, a empresa contratante não fornecia
alimentação regularmente.
Os trabalhadores saíram das cidades de Passa e Fica, Goianinha e Canguaretama,
todas no Rio Grande do Norte (RN), em 6 de setembro. Dezenove deles
foram transportados em uma van e os demais em um caminhão. Parte dos
trabalhadores viajaram na caçamba do caminhão junto com parte do
material de construção. Nenhum dos trabalhadores tinha Carteira de
Trabalho assinada e não receberam equipamento de proteção individual.
Ainda conforme a denúncia, ficou comprovado jornada de trabalho
excessiva e um intervalo de apenas 30 minutos para refeição e descanso.
A
fiscalização do trabalho exigiu a imediata suspensão das atividades
através de Termo de Embargo Total da obra e o pagamento das verbas
rescisórias de todos os trabalhadores. Após o pagamento, previsto para
ocorrer nesta segunda-feira (28), os trabalhadores retornarão para as
cidades de origem em ônibus de linha, tudo custeado pela empresa
infratora. Foram lavrados 30 autos de infração pelo descumprimento das
normas trabalhistas.
A
segunda operação que flagrou trabalhadores submetidos a situação de
trabalho análoga à escravidão ocorreu em 24 de setembro, em uma fazenda
produtora de coco na zona rural de Pentecoste. Segundo a denúnica, 10
trabalhadores estavam alojados em condições degradantes. Os demais
estavam em uma casa de alvenaria. Em nenhum desses locais, segundo a
Fiscalização do Trabalho, havia instalações sanitárias, água potável e
fequipamentos de proteção individual.
Os
trabalhadores estavam sem registro, não tinham direito a férias, nem
recebiam 13º salário. O pagamento dos direitos trabalhistas está
previsto para quinta-feira (1º), na Superintendência Regional do
Trabalho e Emprego (SRTE), em Fortaleza. De acordo com os fiscais, esses
últimos flagrantes chamaram atenção pelas atividades da construção
civil e da produção e do cultivo de coco que nunca tinham sido flagradas
no Ceará.
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