DESCASO
Anteontem na vila em que nasci e me criei morreu uma senhora de nome
Plácida." Prascida ", como todos nós nos acostumamos a chamá-la. Frágil,
doente pelo tempo e a idade, mas uma sobrevivente das dificuldades,
criou filhos e netos e era uma mulher de fé!
O triste dessa história
toda não é só a morte dessa mulher, mas a forma desumana como ela foi
tratada em seus últimos dias de vida. Plácida, precisou da ambulância do
município no qual viveu durante toda sua vida pra ir de Pau
dos Ferros até o sítio Panati no qual morava, acontece que ao chegar na
maternidade da cidade de Marcelino Vieira, foi impedida de continuar
seu trajeto, segundo a funcionária da maternidade a ambulância não iria
para o sítio. Mas, o que fazer com uma senhora debilitada, sem andar,
com um lado de seu corpo paralisado? Jogar no meio da rua?
Sim, foi
isso que fizeram! Tiraram a maca da ambulância e colocaram sobre uma
calçada, sob o olhar aflito, sofrido e injustiçado de seus filhos que
viram a mãe ser humilhada em seu último dia de vida.
Entre apelos e
lágrimas de sua filha, a resposta da funcionária foi alegar questões
políticas e por isso não tinha porque à ambulância e deixá-los no sítio.
Só depois de muito tempo vivenciando aquela situação humilhante, só
depois do filho ameaçar ir a justiça pra conseguir o direito de ter um
transporte pra levar sua mãe doente pra casa, é que eles liberaram a
ambulância.
Plácida morreu anteontem em sua casa, ao lado de sua
família e deve agora estar descansando nos braços do pai, em um habitat
menos cruel, em uma sociedade de gente humana, que não usa a política
para humilhar os mais necessitados, que não usa o poder para dizer quem
pode e quem não pode usar um bem público!
POR KARLA JOELMA
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