terça-feira, 21 de junho de 2016

O que realmente pensa uma parcela da classe política sobre os professores



 

Os discursos de valorização do magistério feitos pelos políticos, sobretudo em período eleitoral, não podem ser levados a sério, em hipótese nenhuma, pois as condições em que vivem os professores  revelam exatamente o que pensam os dirigentes do município sobre a categoria.
Os salários do magistério, de norte a sul do Brasil, não atraem ninguém, razão pela qual a demanda por cursos de licenciatura vem diminuindo nas universidades públicas e privadas. Os que optam pelo magistério o fazem por não querer abrir mão da sua vocação profissional ou por falta de alternativa, ou seja, por não conseguirem aprovação no vestibular para cursos mais atrativos. Não é por acaso que boa parte dos profissionais da área educacional tem dois ou três contratos de trabalho.
Muitos professores, por conta disso e da atual conjuntura de violência que adentra o ambiente escolar, desenvolvem um altíssimo grau de estresse, responsável pelo desencadeamento de diversas doenças: síndrome do pânico, síndrome de esgotamento mental e físico, nódulos nas cordas vocais, problemas cardiovasculares, e agora atraso de salário ,entre outros.
O incentivo à progressão funcional é pífio. Alguns se matam para concluir uma especialização para receber a mais um valor que não cobre o esforço mental e o dispêndio financeiro empregados durante o processo de formação. Além disso, têm de esperar meses ou anos para receber esse irrisório valor.
Os direitos trabalhistas da categoria são continuamente desrespeitados sem o menor escrúpulo. Será que o percentual de aumento das receitas do Fundeb  é repassado aos salários dos docentes e dos demais profissionais da educação, como deveria ser feito, ou seja, levando-se em consideração o custo-aluno anual.
Mudam-se as regras do jogo o tempo todo para subtrair direitos adquiridos com sangue, suor e lágrimas. Em Marcelino Vieira, se dependesse do governo, a Lei do Piso (Lei nº 11.738/2008) teria sido sepultada, a fim de não garantir aos professores o direito ao piso salarial nem à redução da carga horária.
Os reajustes anuais, que deveriam repor as perdas salariais, quando são cumpridos, ficam sempre abaixo da inflação. Isso tem contribuído para elevar o nível de estresse e o endividamento da categoria.
Nem é preciso falar das péssimas condições de trabalho a que são submetidos diariamente. Negam-lhes recursos didáticos e estrutura física mínimos para o desenvolvimento do trabalho pedagógico, mas querem exigir o máximo de qualidade.
A audiência com o prefeito não acontece e quando se consegue falar com o chefe de gabinete nada se resolve,o que não   causa estranheza aos professores. Ela revela o que de fato pensa a atual administração sobre aqueles que são responsáveis pela formação intelectual e profissional dos filhos da classe trabalhadora.
Monteiro Lobato disse que “uma Nação se constrói com homens e livros”, porém uma parcela da  classe política  prefere manter o povo na dependência e no cabresto com uma série de programas assistencialistas.

Professor: Levino Lacerda de Lima


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