O que realmente pensa uma parcela da classe política sobre os professores
Os discursos de valorização do magistério feitos
pelos políticos, sobretudo em período eleitoral, não podem ser levados a sério,
em hipótese nenhuma, pois as condições em que vivem os professores revelam exatamente o que pensam os dirigentes
do município sobre a categoria.
Os salários do magistério, de norte a sul do
Brasil, não atraem ninguém, razão pela qual a demanda por cursos de
licenciatura vem diminuindo nas universidades públicas e privadas. Os que optam
pelo magistério o fazem por não querer abrir mão da sua vocação profissional ou
por falta de alternativa, ou seja, por não conseguirem aprovação no vestibular
para cursos mais atrativos. Não é por acaso que boa parte dos profissionais da
área educacional tem dois ou três contratos de trabalho.
Muitos professores, por conta disso e da atual
conjuntura de violência que adentra o ambiente escolar, desenvolvem um
altíssimo grau de estresse, responsável pelo desencadeamento de diversas
doenças: síndrome do pânico, síndrome de esgotamento mental e físico, nódulos
nas cordas vocais, problemas cardiovasculares, e agora atraso de salário ,entre
outros.
O incentivo à progressão funcional é pífio. Alguns
se matam para concluir uma especialização para receber a mais um valor que não
cobre o esforço mental e o dispêndio financeiro empregados durante o processo
de formação. Além disso, têm de esperar meses ou anos para receber esse
irrisório valor.
Os direitos trabalhistas da categoria são
continuamente desrespeitados sem o menor escrúpulo. Será que o percentual de
aumento das receitas do Fundeb é
repassado aos salários dos docentes e dos demais profissionais da educação,
como deveria ser feito, ou seja, levando-se em consideração o custo-aluno
anual.
Mudam-se as regras do jogo o tempo todo para
subtrair direitos adquiridos com sangue, suor e lágrimas. Em Marcelino Vieira, se
dependesse do governo, a Lei do Piso (Lei nº 11.738/2008) teria sido sepultada,
a fim de não garantir aos professores o direito ao piso salarial nem à redução
da carga horária.
Os reajustes anuais, que deveriam repor as perdas
salariais, quando são cumpridos, ficam sempre abaixo da inflação. Isso tem
contribuído para elevar o nível de estresse e o endividamento da categoria.
Nem é preciso falar das péssimas condições de
trabalho a que são submetidos diariamente. Negam-lhes recursos didáticos e
estrutura física mínimos para o desenvolvimento do trabalho pedagógico, mas
querem exigir o máximo de qualidade.
A audiência com o prefeito não acontece e quando se
consegue falar com o chefe de gabinete nada se resolve,o que não causa
estranheza aos professores. Ela revela o que de fato pensa a atual
administração sobre aqueles que são responsáveis pela formação intelectual e
profissional dos filhos da classe trabalhadora.
Monteiro Lobato disse que “uma Nação se constrói
com homens e livros”, porém uma parcela da classe política prefere manter o
povo na dependência e no cabresto com uma série de programas assistencialistas.
Professor: Levino Lacerda de Lima
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