quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Entre o ruim e o pior




Da forma que o brasileiro busca heróis para esconder sua letargia e eximir-se de suas responsabilidades como cidadãos -  existe outro comportamento no Brasil de jogar toda a culpa pelos desmandos em uma única pessoa, em um único político. Os exemplos são muitos e estamos vivenciando mais um em Marcelino Vieira.
Todos sabem que o governo de Ferrari Oliveira  tornou-se a linha divisória entre o “ruim” e o “pior”. Considerado o “governo cupim”, tudo desandou a ponto de terminar de abrir o imenso buraco onde o município foi metido. Nada de grandioso foi construído ou que estava se acabando foi reconstruído. As dívidas só aumentaram e o que era ruim ficou pior.
Mas fica um “porém”. A culpa por essa situação não recai sobre apenas um homem ou um político. Esse quadro tenebroso que coloca em risco o bem-estar coletivo da sociedade vieirense piorou no “governo cupim”, mas teve a colaboração de vários atores, a começar por aqueles que tinham e continuam tendo a obrigação constitucional de fiscalizar, como a Câmara dos Vereadores.
A maioria do Legislativo, o que se viu foi uma “tropa de choque” que impediu qualquer tentativa de se fiscalizar ou de evitar que a situação piorasse. Viu-se uma procissão de parlamentares correndo ao Palácio  João Medeiros em busca de privilégios (é a política do toma-lá-dá-cá) .
 fiscalizadores ficaram letárgicos, com autoridades que deveriam investigar e propor ações compondo mesa de solenidades oficiais com as mesmas autoridades que deveriam estar sendo alvo de processos investigatórios. E outros fingindo-se de mortos mediante a enxurrada de denúncias que se acumularam em dois governos seguidos.
Enquanto isso, um pequeno número de pessoas viu-se privilegiado com  pagamento em dia, enquanto a maioria ficava de pires na mão tentando receber pelo serviço prestado ou fornecido.
As polícias ficaram sucateadas, os hospitais chegaram ao nível , as escolas caindo aos pedaços e vários outros órgãos fingindo que funcionava porque não havia mais condições de sequer pagar a conta de luz e da internet.
Enfim, o quadro só pirou e agora temos uma situação delicada, com uma folha de pagamento precisando ser enxugada, pois a política de agradar aliados com cargos públicos também extrapolou todos os limites. E quem paga o pato é o servidor que efetivamente trabalha e não tem apadrinhados.
A culpa por tudo isso não é especificamente de uma única pessoa, mas de um grupo, de um conjunto que usa o poder público em benefício do grupo político, não medindo consequências, enquanto  que  maioria  que deveria  zelar e fiscalizar ficaram só assistindo.
Não existe apenas um nome e sobrenome, mas um conjunto, uma associação aos moldes do artigo 288 do Código Penal. O município faliu não apenas pela canetada de um, mas da ação de muitos que estão se revezando no poder há anos, passando por todos os escalões e níveis de poderes.  




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