ENTRE O RUIM E O PIOR
Da forma
que o brasileiro busca heróis para esconder sua letargia e eximir-se de suas
responsabilidades como cidadãos - existe
outro comportamento no Brasil de jogar toda a culpa pelos desmandos em uma
única pessoa, em um único político. Os exemplos são muitos e estamos
vivenciando mais um em Marcelino Vieira.
Todos sabem que o governo de Ferrari Oliveira (PR)
tornou-se a linha divisória entre o “ruim” e o “pior”. Considerado o “governo
cupim”, tudo desandou a ponto de terminar de abrir o imenso buraco onde o municipio
foi metido. Nada de grandioso foi construído ou que estava se acabando foi
reconstruído. As dívidas só aumentaram e o que era ruim ficou pior.
Mas fica um “porém”. A culpa por essa situação não
recai sobre apenas um homem ou um político. Esse quadro tenebroso que coloca em
risco o bem-estar coletivo da sociedade vieirense piorou no “governo cupim”,
mas teve a colaboração de vários atores, a começar por aqueles que tinham e
continuam tendo a obrigação constitucional de fiscalizar, como os órgãos fiscalizadores.
A maioria do Legislativo, o que se viu foi uma
“tropa de choque” que impediu qualquer tentativa de se fiscalizar ou de evitar
que a situação piorasse. Viu-se uma procissão de parlamentares correndo ao
Palácio João Medeiros em busca de
privilégios (é a política do toma-lá-dá-cá) .
Fiscalizadores ficaram letárgicos, com autoridades
que deveriam investigar e propor ações compondo mesa de solenidades oficiais
com as mesmas autoridades que deveriam estar sendo alvo de processos
investigatórios. E outros fingindo-se de mortos mediante a enxurrada de
denúncias que se acumularam em dois governos seguidos.
Enquanto isso, um pequeno número de pessoas viu-se
privilegiado com pagamento em dia,
enquanto a maioria ficava de pires na mão tentando receber pelo serviço
prestado ou fornecido.
As polícias ficaram sucateadas, os hospitais
chegaram ao nível , as escolas caindo aos pedaços e vários outros órgãos
fingindo que funcionava porque não havia mais condições de sequer funcionar por
falta de pagamento da conta de luz e da internet.
Enfim, o quadro só pirou e agora temos uma situação
delicada, com uma folha de pagamento precisando ser enxugada, pois a política
de agradar aliados com cargos públicos também extrapolou todos os limites. E
quem paga o pato é o servidor que efetivamente trabalha e não tem apadrinhados.
A culpa por tudo isso não é especificamente de uma
única pessoa, mas de um grupo, de um conjunto que usa o poder público em
benefício do grupo político, não medindo consequências, enquanto que boa parte
daqueles que deveriam zelar e fiscalizar ficaram só assistindo.
Não existe apenas um nome e sobrenome, mas um
conjunto, uma associação aos moldes do artigo 288 do Código Penal. O município
faliu não apenas pela canetada de um, mas da ação de muitos que estão se
revezando no poder há anos, passando por todos os escalões e níveis de poderes.
POR: Levino Lacerda
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